O que vai ser de Noronha depois dessa temporada de Cruzeiros?

Dá para perceber tanto no blog, como na fan page que eu tenho um carinho, na verdade paixão mesmo, por Fernando de Noronha. Fui duas vezes, uma em 2005 e outra esse ano, e já fiquei decepcionada com a falta de cuidado com a ilha na última ida, como o estado em que se encontrava a escada que leva à Praia do Sancho.

Escada que leva à Praia do Sancho em Junho/11

Totalmente enferrujada, oferecendo perigo aos visitantes e nada mais é que o único acesso por terra à considerada por muitos a melhor praia do Brasil. Muito triste, mas faz parte do tipo de problema fácil de se resolver, e que já foi resolvido pelo que me contaram.
O que tem me preocupado, e não só a mim, como ambientalistas e outros blogueiros,  é a quantidade de Cruzeiros Marítimos que irão passar pelo arquipélago nessa temporada de verão 2011/2012.
O limite de visitantes diário na ilha é de 450, mas só o Ocean Dream da CVC tem capacidade para quase 1500 passageiros. Em cada viagem, o navio permanecerá na ilha 2 dias e uma noite. Isto é, se for dividir, serão cerca de 750 desembarcando em um dia e 750 no outro, fora os turistas que chegam de avião. E definitivamente a ilha não tem capacidade para receber essa quantidade de turistas, e falo de estrutura, taxi, restaurantes, aluguel de bugues, transporte. E pior que isso, qual o impacto no meio ambiente dessa invasão de turistas?

Mas o que acho mais engraçado é que o argumento dos responsáveis pelo navio é de que o desembarque simultâneo é de no máximo 350 passageiros, distribuídos em passeios diferenciados por terra e mar. Das duas uma: ou esse número não é respeitado ou significa que a pessoa compra uma viagem de navio, por no mínimo R$ 1800, com um roteiro definido, dizendo que irá ancorar em Fernando de Noronha e a pessoa simplesmente poderá ser impedida de descer!!!

Resumindo, em termos de dica para os turistas,  ir para Fernando de Noronha por navio é, na minha opnião, a maior furada, porque você sequer sabe se vai conseguir desembarcar. Além disso, Fernando de Noronha, mesmo sendo uma ilha, não dá pra se conhecer em 2 dias inteiros, é preciso no mínimo 4 dias na ilha para conhecer tudo, mesmo assim correndo.

E quanto ao impacto ambiental, segue o trecho da reportagem do IG , que vale a pena ler toda, a respeito desse assunto com opnião de um oceanógrafo.

” Ambientalistas, no entanto, preocupam-se com a vinda de turistas em massa para Fernando de Noronha. “Os impactos ambientais são proporcionais ao tamanho do cruzeiro e irreversíveis. Depois da vinda de um navio deste tamanho, a história só não se repetirá se for inviável economicamente”, afirma o doutor em Oceanografia, José Martins da Silva Júnior, Coordenador do Projeto Golfinho Rotador e Responsável pela Base Avançada do Centro Mamíferosa Aquáticos / ICMBio em Fernando de Noronha”.

Segundo o oceanógrafo, os turistas de cruzeiros, por terem apenas um ou dois dias para conhecer a ilha, provocam uma sobrecarga instantânea no ecossistema local, já que se todos tendem a se concentrar em um mesmo lugar, ao mesmo tempo. “Dados do projeto da ONG indicam que os golfinhos-rotadores estão abandonando Fernanda de Noronha. Fato relacionado diretamente ao incremento do número de vindas dos cruzeiros”, afirma Silva Júnior. ” 

Golfinhos rotatores

Como já foi iniciada a temporada, só me resta torcer para que os danos ambientais sejam os menores possíveis e que algo seja feito para que isso mude para o ano que vem; e que minhas filhas consigam um dia ver imagens como essa ao lado.

 

Você não está autorizado a visualizar esta parte
O campo App IDotherwise your plugin won't work.
Últimos comentários
  1. Stephanie Aniz
  2. Paulo Santana
  3. Alida Cabral
    • Flávia Peixoto
    • Flávia Peixoto
  4. Junior
  5. CarlaZ
    • Flávia Peixoto
  6. Flávia Peixoto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *