Morando na Flórida há 32 dias: começo da rotina e adaptação

Esse post era pra ter sido feito quando completei 30 dias morando aqui. Mas não tinha a menor condição de fazê-lo: minha sobrinha, que também é afilhada, de 4 anos, estava no CTI, e eu simplesmente desmoronei. Aquilo que sempre ouvia de expatriados de que era a parte mais difícil, já estava acontecendo e com menos de um mês. A sensação de impotência, de não poder ajudar, de não poder dar força ou simplesmente de olhar pra ver que está ficando tudo bem, é horrível. E claro que a pergunta “o que eu estou fazendo aqui tão longe? ” vem na cabeça direto. Claro também que se estou escrevendo o post é porque ela já saiu de lá, está ainda no hospital, mas se recuperando bem. A vontade de estar lá ainda continua, pra ver a recuperação de perto, mas estou mais tranquila, tenho falado todos os dias com minha irmã e ela que me passou essa tranquilidade.

a adaptação na escola está ótima!

a adaptação na escola está ótima!

De 15 dias para um mês muda muita coisa, aquela sensação de novidade vai acabando, a rotina é estabelecida e vamos nos adaptando melhor. Até porque é raro viajar um mês seguido, então esse tempo já é longo o suficiente pra dar a sensação de que sim, estamos em casa, numa nova cidade, em outro país,  mas nossa casa. Até brinquei que por ser a minha casa, começou a ficar bagunçada: mesa com câmera, Macbook e papéis, em cima da mesa, brinquedos espalhados no chão do quarto delas, escrivaninha com lápis, desenhos, até porque isso que faz a casa ter carinha de casa de verdade e não de mostruário de loja de móveis.

Na escola, como falei no post de 15 dias, elas me surpreenderam tão positivamente que nem sei o que dizer. Muitos falaram que a adaptação seria de uns 3 meses, que chorariam, que pediriam pra voltar para o Brasil, que se recusariam a ir pra escola, e pelo contrário, é a hora que elas mais ficam felizes, tirando o fato de ser de manhã e minha duplinha simplesmente não suportar acordar cedo. Mas mesmo assim acordam felizes. Acho que porque nessa escola elas têm uma independência maior: eu deixo elas de carro na porta e elas entram sozinhas, sem a professora resgatar como era no Rio; elas escolhem o almoço, pagam com o número da matrícula delas (na verdade pagamos o almoço pelo site da escola e elas apenas registram o número) , e comem sozinhas, sem ninguém pedir pra experimentar nada, como era na outra escola. Aliás, outra coisa que elas estão amando é poder ir de vestido, do uniforme mas é vestido, e sim, é escola pública mas com uniforme, e a mãe adorou! E ainda de ir de mochila com rodinhas, coisa que era proibida na escola do Rio, e eu sempre concordei por ser, já que eram pequenininhos, sem coordenação e sairiam atropelando os amiguinhos, sendo que o material ficava no escaninho com chave, logo a mochila não era pesada.

Falando na escola antiga, quem tem saudades de lá sou eu. Tenho acompanhado as tarefas de casa delas e tenho sentido muita diferença no método do ensino. Já ate esperava isso, elas estudavam numa escola construtivista e foram para uma tradicional, mas é um choque pra mim ter exercícios de repetição, entre outros. Enfim, se a mudança fosse definitiva eu teria que começar a buscar algo que se encaixasse no que eu considero como melhor método, e provavelmente teria que colocá-las em uma escola particular.

Ainda em relação às meninas, se por um lado na escola está tudo indo bem, por outro eu vejo que elas estão fazendo mais besteiras, acredito que pra chamar a atenção. Letícia chegou a chorar em duas noites dizendo que está com saudade da família, mais precisamente da vovó, do vovô e das primas. Acho natural isso, e me espantaria se não houvesse nenhuma reação nesse sentido. Conversei com as professoras sobre colocar as duas em atividades extras, elas acharam o ideal era esperar mais, pois seria muita adaptação junta.

festa da amiga Viva, a primeira aqui

festa da amiga Viva, a primeira aqui

Nesse meio tempo, meninas receberam o primeiro convite de festa de aniversário de amiguinha da escola: Viva. A festa foi no Chuck e Cheese , tipo uma lanchonete cheia de jogos eletrônicos. Fiz questão de levá-las, afinal a vida social delas no Brasil era mais que intensa, e tive um choque cultural. Primeiro que as festas aqui duram 2 horas, contra as 4 ou 5 horas no Brasil. Segundo porque aqui as festas são BEM mais simples. Essa por exemplo tinha apenas pizza e o bolo de aniversário pra comer, além de refrigerantes e água. Nada de super produção, o espaço dedicado à festa tinha uns balões enfeitando, toalhas de mesa de plástico e só. Na hora do parabéns o Chuck (um rato) entrou e fez umas gracinhas com a aniversariante e o parabéns foi cantado. E o bacana é que mesmo com toda simplicidade, meninas amaram, a ponto de Letícia dizer que quer a festa dela desse ano aqui no mesmo lugar. E essa teve algo que me falaram que é raro: as mães puderam comer. Se bem que não tinha muita mãe, na verdade não entendi, eram no máximo umas 10 crianças, e acredito que a turma toda foi convidada, mas os pais se espalharam no salão, só vi alguns na hora do parabéns. Eu só acho que poderia dar mais opções de comida, Letícia não comeu nada, até porque detesta pizza.

 

 

aqui em casa com a Renata

aqui em casa com a Renata

Tive o prazer de receber a Renata do blog You Must Go como primeira visita, mesmo que tenha sido super rápido, na minha casa. Aliás o bacana de morar pertinho do Aventura Mall é isso, muita gente vai no shopping , me avisa, e eu acabo dando um pulo lá, nem que seja pra dar um abraço, como foi com a querida Flávia Bonato.

 

 

Matheson Hammock Park

Matheson Hammock Park

 Conseguimos nesse tempo fazer alguns passeios, como ir no Matheson Hammock Park (post em breve), e temos viagem planejada pra semana que vem, afinal, começou hoje o Spring Break (quando as escolas, faculdades param por uns dias entre o mês de março e abril, dependendo do estado dos EUA).  Acho bacana ter um pouco mais de uma semana de parada na escola, numa época gostosa como a primavera, mais uma época pra viajar.  Aliás, lembrei de um post num grupo no Facebook, sobre as crianças faltarem aulas, e que no Brasil é MUITO comum. Pelo que estou vendo, aqui isso não é nem algo comum muito menos algo que se deva fazer. Por alguma falha nos controles da escola ( o pai acha que é porque ela esqueceu o dever de casa) eles acharam que Camila faltou na quarta-feira. No mesmo dia de tarde eles ligaram para saber o que houve. Isso me fez pensar sobre o que os brasileiros (pais e as escolas quando aceitam essas faltas tranquilamente) passam pros seus filhos, em termos de noção de responsabilidade, afinal é desde cedo que se aprende, e o que isso pode impactar no futuro. É pra se pensar mesmo.

Leia também outros posts de Morando na Flórida

Highlights dos nossos 15 dias na Flórida

Rumo à grande Aventura na Flórida

 

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