Dicas para conhecer Berlim

Berlim -  Rio Spree

Berlim – Rio Spree

Capital da Alemanha e um dos dezesseis estados alemães, em Berlim cada passo dado é uma aula de história. Cidade grande e movimentada, tem como peculiaridades guardar em si os traços de um passado complicado, e não fazer questão de escondê-los, o que me impressionou bastante. É a vitrine de duas guerras mundiais perdidas, conserva os restos de um Muro que durante longos anos simbolizou opressão e violação às liberdades individuais, um Parlamento de paredes marcadas pela ocupação soviética, e um campo de concentração que relembra as atrocidades do Holocausto. Tudo isso ostensivamente apresentado a quem quiser conhecer melhor, e se lembrar de tudo que jamais deve se repetir. Berlim é uma lição de vida, de demonstração de força, de superação e de capacidade de recomeço de um povo que durante muito tempo não teve do que se orgulhar. Mas também é uma cidade lindíssima, e cheia de lugares igualmente belos para se visitar. Para quem, como eu, se envolve de corpo e alma com a atmosfera do lugar, posso adiantar que não vai sair de lá do mesmo jeito que chegou.

 Marienkirche com a Neptunbrunnen (Fonte de Netuno) em frente

Marienkirche com a Neptunbrunnen (Fonte de Netuno) em frente

Clima

Cheguei a Berlim em 09/09/16, ou seja, quase fim de verão na Europa. Fui brindada com um calor digno de verão carioca, então esqueçam a lenda de que na Alemanha só faz frio. O verão é quente. O sol ardia, e fui obrigada a incrementar o guarda roupa de verão fazendo umas comprinhas na Primark da Alexanderplatz. Assim sendo, para quem visita a cidade no verão, é imprescindível abastecer a mala com roupas leves (embora, em se tratando de Europa, não se possa abandonar um casaquinho e uma calça, para eventualidades).

Como Chegar

Partindo do Brasil, chega-se a Berlim via Aeroporto Tegel, hub de transferência da Lufthansa. No entanto, eu cheguei a Berlim de trem, vindo de Colônia. Comprei a passagem, ainda aqui no Brasil, com antecedência, porque sempre há uns preços bons, no site da Deutsche Bahn (www.bahn.de), a companhia de trens alemã. Apesar de a DB ser de competência duvidosa (encarei um atraso de duas horas ao voltar de Leipzig para Berlim, e fui largada, junto com todos os passageiros, no meio da linha de trem com mala e tudo no caminho para Dresden, sem qualquer explicação), trem ainda é a melhor e mais prática maneira de se deslocar, não só pela Alemanha, mas pela Europa como um todo.

Desembarquei na estação principal da cidade, Berlin Hauptbanhof, e dali peguei com incrível facilidade o U-Bahn para a Alexanderplatz, onde iria me hospedar. É tranquilo circular com malas, a estação é toda equipada com escadas rolantes e elevadores.

A propósito, uma dúvida rotineira, principalmente entre as pessoas que  transitavam por Berlin Hauptbanhof, era: o que é Berlin Hbf Tief, escrito no meu bilhete? É outra estação? Não! Tief, pessoal, nada mais é do que o subsolo da Berlin Hbf, ou seja, as plataformas que ficam nele.

 

Hotel e Alimentação

 

 Alexanderplatz – Torre de TV ao fundo (Berliner Fernsehturm)

Alexanderplatz – Torre de TV ao fundo (Berliner Fernsehturm)

Após exaustivas pesquisas no universo da internet, cheguei à conclusão de que o melhor local para hospedagem, para quem chega de trem e vai se deslocar pela cidade toda de transporte público, principalmente U-Bahn e S-Bahn, como eu pretendia fazer, era a Alexanderplatz. Há vários hotéis na região, e escolhi o Ibis Styles Berlin Alexanderplatz, situado na Bernhard Weiss Strasse, 8. Preço bom, café da manhã excelente, incluído na tarifa, e atendimento padrão Ibis, ideal para quem dispensa surpresas.

Ao sair da estação de metrô, fiquei meio perdida, pois demorei a achar essa rua. Um alemão gentil me ajudou e, depois de me ambientar, vi que era facílimo chegar. Então, fica a dica: caso se hospedem nele e não queiram ficar meio desorientados (o Google Maps não ajuda, até o alemão ficou confuso), fiquem de costas para a Alexanderplatz. Localizem o prédio do Berliner Zeitung, que estará à frente. Feito isso, e usando a rua onde ele fica como referência visual, é só entrar na próxima rua que visualizarem à direita.

Se hospedar na Alexanderplatz tem como consequência direta estar num lugar onde há várias opções de restaurantes, seja ali mesmo ou esticando um pouquinho as pernas e indo até o Nikolaiviertel, onde há restaurantes lindíssimos e aconchegantes. Os preços variam mas, em geral, a comida não é cara, e é boa, e pude saborear os famosos bifes de porco empanados com batatas por preços justos, assim como o Apfelschorle, bebida feita de suco de maçã e água mineral com gás, que virou meu vício na terra da salsicha.

Transporte

 

Berlim nos oferece uma opção de transporte magnífica, composta de várias linhas de U-Bahn e de S-Bahn, e confesso que, dada a facilidade de utilização, e o fato de que esse transporte atendia a todos os roteiros que preparei, me utilizei praticamente a viagem toda dela. Só andei de ônibus uma vez, em Potsdam. A diferença entre U-Bahn e S-Bahn se restringe à abrangência. As primeiras linhas servem a região metropolitana. As outras, aos locais mais afastados.

Nas estações, tanto de U-Bahn como de S-Bahn, há máquinas de venda de tickets, facílimas de se utilizar, mesmo para quem não sabe nada de alemão, pois elas “falam”, pelo menos, inglês e espanhol…E dão troco!!!

Eu utilizei mais de um tipo de ticket. Para seguir da Berlin Hauptbanhof para a Alexanderplatz, me bastou um Bilhete para Trajeto Curto (Kurzstrecke), utilizado em uma viagem de até no máximo 3 estações  ou até 6 paradas de ônibus ou bonde. 

Para as andanças que durariam um dia inteiro, utilizei dois tipos de Bilhete Diário (Tageskarte). Podia viajar quantas vezes quisesse, em qualquer direção e com qualquer tipo de transporte, a partir do momento da validação até as 3 horas da manhã do dia seguinte. Usei os tipos AB e ABC. O primeiro serve para a maioria das atrações turísticas de Berlim, mas se o roteiro inclui Spandau ou Potsdam, por exemplo, é necessário um Tageskarte ABC. O mapa padrão do metrô de Berlim aponta as zonas A, B e C.

Mencionei validação, certo? Pois é, é providência fundamental! Ao lado das máquinas de venda, há as de validação. É só enfiar o bilhetinho ali que a maquininha carimba. A fiscalização nos transportes é rigorosa, e feita de surpresa. Quem estiver sem bilhete ou não o tiver validado, é convidado gentilmente a se retirar.

Pontos Turísticos

 

Se eu fosse falar em detalhes de cada lugar incrível que visitei em Berlim, esse artigo ficaria imenso, razão pela qual somente irei mencioná-los aqui, reservando outras publicações para alguns deles, com dicas para o planejamento da visita.

 

Lustgarten – Altes Museum ao fundo

Lustgarten – Altes Museum ao fundo

Museus: A Museumsinsel (Ilha dos Museus) reúne cinco museus muito bacanas. Infelizmente, em razão do fator tempo disponível, tive que escolher apenas um para visitar, e fiquei com o Pergamon (http://www.smb.museum/en/museums-institutions/pergamonmuseum/home.html). 

Portão de Ishtar – Pergamonmuseum

Portão de Ishtar – Pergamonmuseum

Além dele, encontramos na ilha o Altes Museum, o Neues Museum, o Bode Museum e a Alte Nationalgalerie, motivos que acho mais do que suficientes para se voltar a Berlim.

Eu achei bastante interessante, ainda, o Museu Histórico Alemão (https://www.dhm.de/en.html). Ele conta a história da Alemanha desde os primórdios aos dias atuais.

A exposição a céu aberto Topographie des Terrors (http://www.topographie.de/) impressiona ao contar, em estandes cronologicamente dispostos, os horrores da época do Nazismo, desde sua ascensão, e a atuação da Gestapo, a temida polícia secreta de Hitler.

Também visitei o Berlin Wall Memorial, e o Memorial do Campo de Concentração de Sachsenhausen, mas estes merecem postagens à parte.

 

Catedral de Berlim (Berliner Dom)

Catedral de Berlim (Berliner Dom)

Igrejas: A Nikolaikirche, situada no coração do Nikolaiviertel, é lindíssima, e é a igreja mais antiga de Berlim. Não é coincidência, pois, que exatamente em frente a ela encontremos o Marco Zero de Berlim, assim como a Wappenbrunnen, que possui em seu interior uma coluna com a estátua de um urso, animal símbolo da cidade. 

Marco Zero de Berlim

Marco Zero de Berlim

A Kaiser Wilhelm-Gedächtnis-Kirche, bastante danificada por bombardeios, impressiona, pois seu interior não foi restaurado. Próxima a ela foi construída uma nova. Cá entre nós, achei bastante feia essa igreja nova, preferi a outra, muito bonita mesmo quebrada. 

Kaiser Wilhelm-Gedächtnis-Kirche

Kaiser Wilhelm-Gedächtnis-Kirche

Também merece destaque a Marienkirche, situada nos arredores da Alexanderplatz. Mas por menos tempo que se possa ter para visitar Berlim, o que não se pode perder é uma visita à Berliner Dom, ou Catedral de Berlim, situada em um pequeno, mas lindíssimo parque, o Lustgarten. Meu queixo caiu ao entrar nela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prédios Históricos: Reichstag (falarei sobre a visita em um post à parte), Rotes Rathaus (Prefeitura Vermelha), Humboldt Universität, Schloss Bellevue (residência oficial do Chanceler alemão), Staatsoper Unter Den Linden.

Rotes Rathaus (Prefeitura Vermelha)

Rotes Rathaus (Prefeitura Vermelha)

 

Parques: Lustgarten, Potsdam, Charlottenburg. O Lustgarten é um pequeno parque bem no centro de Berlim, lindíssimo, ótimo para se esticar e descansar num fim de tarde. Potsdam e Charlottenburg são mais afastados do centro, mas possuem linhas de U-Bahn e S-Bahn que facilmente nos levam até lá. São passeios que podem durar um dia todo, e recomendo para quem tem tempo disponível, pois além de um passeio belíssimo pelos parques, que são enormes, há palácios lindíssimos a serem visitados, como o Schloss Charlottenburg, e o Sanssouci e o Neues Palais, estes situados em Potsdam.

 

Monumentos: Sowjetisches Ehrenmal (Memorial de Guerra Soviético),  Siegessaule (Coluna da Vitória), Neue Wache (a Casa da Guarda, que se transformou no  Memorial para as Vítimas da Guerra e da Tirania), Fernsehturm (não é exatamente um monumento, é uma torre de TV, mas é um símbolo em Berlim, e acesa à noite, fica bem bonita), Checkpoint Charlie, Brandemburger Tor. 

Checkpoint Charlie

Checkpoint Charlie

Porta de Brandemburgo (Brandemburger Tor)

Porta de Brandemburgo (Brandemburger Tor)

 

Passeios fora da Cidade:  Vale a pena visitar Leipzig. Fiz essa visita aconselhada pela Bia, uma amiga que mora há dez anos na Alemanha e me deu dicas ótimas. É um bate e volta imperdível,  a menos de uma hora e meia de trem, partindo de Berlim.  Leipzig é local importante na vida de vários alemães famosos,  que ali nasceram ou viveram, como Bach, Mendelssohn, Wagner  e Goethe.

O outro conselho da Bia foi uma visita a Dresden. E aí segue uma dica bacana, para quem gosta de otimizar o roteiro, como eu: Se você vai de Berlim a Praga, pode comprar o bilhete com uma “janela” de quantas horas definir, o que permite uma parada, exatamente no meio do caminho, em Dresden, sem que se desembolse um centavo a mais de passagem para isso. Dresden é lindíssima, e vale a parada.

 

Compras:

 

Berlim não é, propriamente, um lugar atrativo para compras. Mas para quem não pode sair sem uma comprinha básica, posso indicar a Primark (tem umas pechinchas ótimas), o shopping Alexa, e a Galeria Kaufhof (essa é para quem procura as marcas um pouco mais sofisticadas). Isso tudo fica na Alexanderplatz, também equipada com vários outros tipos de lojas e farmácias.

Como a Avenida Unter den Linden é passagem obrigatória para quem visita os pontos turísticos principais de Berlim (a Catedral de Berlim fica numa ponta e a Porta de Brandemburgo na outra), é impossível não perceber a Nivea Haus, no número 28, templo dos produtos Nivea. Os preços não são propriamente uma pechincha, mas valem pela qualidade dos produtos. E, por fim, para quem ama mesmo compras, a Kurfurstendamm, ou Ku’Damm, é passagem obrigatória, sendo o ponto alto do trajeto a Kaufhaus des Westens (KaDeWe), uma loja de departamentos enorme, voltada para marcas de luxo, tais como Chanel, Dior, Gucci, Chanel, Louis Vuitton, por exemplo.

Em breve mais posts com detalhes de Berlim!

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Hotéis em Berlim 

 

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  1. Carla Ascoli

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